O que é o transtorno dismórfico corporal

O que é o transtorno dismórfico corporal

Por: - Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674
Publicado em 25/06/2019 - Atualizado 08/07/2019

O transtorno dismórfico corporal (TDC) é uma condição psicológica que se caracteriza pela preocupação, sem controle, com a aparência. Seus portadores dão importância exagerada a defeitos pequenos que, apesar de imperceptíveis para outras pessoas, assumem uma dimensão enorme aos seus olhos.

O TDC se manifesta como um comportamento compulsivo em relação à aparência, causando baixa autoestima e muito sofrimento. Apesar de ser considerada uma doença grave, ela tem cura, desde que o tratamento seja realizado de forma multidisciplinar.

Entretanto, a identificação e o diagnóstico do transtorno dismórfico corporal são bastante difíceis de serem realizados, visto que, muitas vezes, os sinais são confundidos como excesso de vaidade. Mas afinal, qual é o limite para a preocupação com a aparência?

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Neste artigo, você vai saber tudo sobre transtorno dismórfico corporal, suas causas, sintomas e formas de tratamento. Confira!

Quais as causas do transtorno dismórfico corporal?

A origem do transtorno dismórfico corporal é basicamente genética e neuroquímica, porém, o fator ambiente também pode influenciar, principalmente na infância e adolescência.

Segundo estudos, realizados pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), dentre os portadores de TDC, 8% possuem algum membro da família que também recebeu o diagnóstico da doença ao longo da vida.

Assim como ocorre em outros distúrbios obsessivo-compulsivos, neste, também, foram notados desequilíbrios neuroquímicos, principalmente nas taxas de serotonina, substância responsável pelo bem-estar e por manter as ideias sob controle.

O mesmo estudo demonstrou que pessoas com as seguintes características são mais suscetíveis à doença:

  1. ansiosas;
  2. perfeccionistas;
  3. tristes;
  4. inseguras;
  5. com baixa autoestima;
  6. tendência à solidão;
  7. introspectivas e
  8. obsessivas.

Além disso, com o advento das redes sociais, o fator externo também vem ganhando destaque. Isto porque as pessoas têm acesso a imagens que reforçam padrões que, em muitos casos, não correspondem ao seu biotipo físico e se frustram por não seguirem determinados estereótipos.

Quais os indícios de TDC

Quem tem transtorno dismórfico corporal sente um incômodo físico em relação à aparência, o que leva a buscar auxílio e soluções na cirurgia plástica, dermatologia, odontologia, entre outros, para sentir-se melhor.

Entretanto, essa necessidade de realizar um procedimento para alterar sua aparência pode se tornar uma obsessão. A tendência é que a pessoa fique cada vez mais preocupada e insatisfeita com suas “imperfeições”, queira realizar uma cirurgia após a outra e, devido à tristeza, acabe prejudicando o seu desempenho no trabalho ou estudos.

Junto a isso, costumam apresentar alguns comportamentos compulsivos, como:

  • verificar sua aparência no espelho e examinar seus “defeitos;
  • apalpar e cuidar da pele de modo excessivo;
  • lavar e escovar os cabelosm várias vezes ao dia;
  • comparar sua aparência com a de outras pessoas.

Em muitos casos, o paciente deixa de sair de casa e relacionar-se com outras pessoas. Já em situações mais extremas, pode chegar a tirar a própria vida.

Para evitar danos maiores, é importante que amigos e familiares contribuam na busca pela ajuda médica assim que esses sintomas se tornem frequentes.

Quais as reclamações mais comuns dos pacientes com TDC

A forma mais frequente desse transtorno é referente ao peso corporal, quando pode se manifestar a anemia e a bulimia. Muitas vezes, a pessoa está com o peso adequado para a sua altura e faixa etária, mas considera-se acima do peso. Por isto, começa a se submeter a:

  • regimes inadequados;
  • uso de medicamentos inibidores de apetite;
  • vômitos forçados após a refeição;
  • exercícios físicos em excesso.

Outras queixas comuns são relacionadas a aspectos do rosto, como:

  • nariz;
  • olhos;
  • pele;
  • queixo;
  • lábios e
  • cabelo.

Algumas pessoas também exibem preocupação com o cheiro corporal, incluindo mau hálito e odor das axilas ou dos pés.

Como é o diagnóstico e tratamento do transtorno dismórfico corporal

Uma forma de identificar o problema é se questionar:

  • O quanto a aparência incomoda?
  • Quanto tempo pensa nisso por dia?
  • Você deixa de fazer alguma coisa por causa disso?

As respostas podem indicar tanto a presença quanto uma predisposição para a condição.

Em estágios considerados leves e moderados da doença, a cirurgia plástica pode servir como parte do tratamento. Entretanto, é fundamental procurar um profissional especializado para que ele oriente sobre até que ponto a pessoa poderá se sentir bem com os resultados promovidos pela cirurgia plástica ou procedimentos minimamente invasivos. A certificação dos cirurgiões plásticos são um diferencial que garantem compromisso ético e conhecimento técnico para realizar apenas os procedimentos adequados.

Quando o caso é grave, é preciso recorrer à psicoterapia e a um psiquiatra, a fim de analisar o que está causando essa obsessão. Em geral, o transtorno dismórfico corporal  é associado a outras doenças que também precisam ser tratadas, como depressão e ansiedade. Neste caso, o tratamento costuma ser bastante difícil, pois grande parte dos pacientes acredita que é apenas muito vaidoso e não aceita o diagnóstico.

A melhor forma de prevenir o distúrbio é aceitar e respeitar o próprio corpo, assim como não se pressionar para se encaixar em padrões de aparência que não correspondam ao seu biotipo físico. É preciso ressaltar a beleza natural das pessoas e da diversidade, tendo em mente que a perfeição é uma ideia muito difícil de ser alcançada.

Contribua com o diagnóstico desse distúrbio! Compartilhe este artigo com amigos e familiares para conscientizar sobre a importância de tratar o transtorno dismórfico corporal.

Conteúdo revisado por:
Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674

Formado em medicina pela UFSC e mestre em Cirurgia Plástica pela USP, o Dr. Evandro Parente é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e presidente da SBCP-SC

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