Entenda como funciona o tratamento do lábio leporino

Entenda como funciona o tratamento do lábio leporino

Por: - Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674
Publicado em 14/01/2017 - Atualizado 09/02/2019

A fissura labiopalatina, mais conhecida como lábio leporino, está entre as malformações congênitas mais comuns. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 650 nascimentos no Brasil, uma criança apresenta a alteração. Trata-se de uma abertura na região do lábio superior ou do céu da boca (palato), condições que podem ocorrer individualmente ou em conjunto. A fenda é ocasionada pela formação incompleta destas estruturas na fase embrionária, entre a 4ª e a 12ª semana de gestação.

As fissuras podem ser unilaterais ou bilaterais e variam desde formas mais leves (como cicatriz labial ou úvula bífida, a “campainha” dividida) até formas mais graves, como as fendas completas de lábio e palato. As fissuras podem deixar o canal oral em contato com o nasal. Por isso, a alimentação da criança com lábio leporino é, geralmente, prejudicada, porque há maior risco de o bebê aspirar o alimento, provocando infecções como otite e pneumonia.

Otites podem causar prejuízos no desenvolvimento da fala e da linguagem, e anemias também são frequentes nestes casos. Apesar da dificuldade que pode existir para amamentar, o aleitamento materno é incentivado para evitar infecções e fortalecer a musculatura da face e da boca. A família recebe todas estas orientações e informações durante o tratamento do lábio leporino.

O tratamento do lábio leporino vai até a fase adulta

A maioria das fendas pode ser reparada através de uma série de cirurgias, que corrigem o desenvolvimento incompleto, visando restaurar funções básicas, como a capacidade de comer, falar, ouvir e respirar, além de harmonizar a aparência facial. Sem o tratamento do lábio leporino, a fissura pode deixar sequelas graves, como a perda de audição, problemas na fala e déficit nutricional. Entretanto, com o acompanhamento adequado, a total reabilitação é possível.

O tratamento do lábio leporino é longo: tem início no nascimento e se estende até a fase adulta. Inclui não só o cirurgião plástico, mas também uma equipe multidisciplinar: fonoaudiólogo, nutricionista, dentista, psicólogo, otorrinolaringologista, entre outros. A troca de informações entre estes profissionais é fundamental para o tratamento do lábio leporino, pois um fator interfere diretamente no outro (dentes, fala, face, funções alimentares, etc).

A primeira cirurgia, de lábio e palato mole, pode ser realizada já aos três meses de idade. A cirurgia de palato duro é feita apenas quando a criança completa um ano e meio. Até lá, para garantir uma boa alimentação, são desenvolvidas placas palatinas pré-moldadas e os pais são orientados quanto à posição correta para amamentar o bebê.

O que causa o lábio leporino

As principais causas para o surgimento da anomalia são o uso de álcool e cigarro, a realização de radiografias na região abdominal, a ingestão de medicamentos como anticonvulsivantes e corticoide durante o primeiro trimestre de gestação, deficiência nutricional e hereditariedade. A presença do lábio leporino pode ser descoberta por ultrassonografia ainda durante a gestação, mas não pode ser tratado até que a criança nasça. Até lá, os pais têm tempo para assimilar a informação, buscar orientação e encontrar profissionais qualificados e de confiança para realizar o tratamento do lábio leporino.

Conteúdo revisado por:
Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674

Formado em medicina pela UFSC e mestre em Cirurgia Plástica pela USP, o Dr. Evandro Parente é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e presidente da SBCP-SC

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