Dr. Henrique Müler responde: Quando fazer a restauração de mama?

Dr. Henrique Müler responde: Quando fazer a restauração de mama?

Por: - Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674
Publicado em 29/10/2018 - Atualizado 09/02/2019

Desde a década de 1990, o movimento Outubro Rosa tem como objetivo conscientizar as mulheres sobre tudo que envolve o câncer de mama. Mesmo com tantas informações, é muito comum que surjam algumas dúvidas, principalmente no que diz respeito ao período após o tratamento.

Um desses assuntos é a reconstrução das mamas. Afinal, quando ela deve ser realizadas e quais os seus riscos? Para responder a essas e outras perguntas, entrevistamos o Dr. Henrique Müller, cirurgião plástico associado à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, regional Santa Catarina, especializado nas áreas estética e reparadora.

De acordo com o médico, a reconstrução das mamas faz parte do tratamento do câncer de mama e tem o papel de devolver a autoestima e o bem-estar da mulher. Assim, é fundamental que as pacientes percam o medo desse procedimento e o vejam como grande aliado para retomarem a sua vida normal.

Confira!

1) Quais os casos de câncer de mama em que é necessária a retirada da mama para promover a cura da doença?

Dr. Henrique Muller – A recomendação de retirada total ou não da mama depende muito do estágio em que está a doença e do tipo de tumor. Na verdade, nós avaliamos muito a relação entre o tamanho da mama e do tumor para assim indicar se a necessidade é de retirar somente um segmento ou um quadrante da mama ou se o ideal é realizar a mastectomia, que é a retirada total.

Vale destacar que a retirada da mama não é indicada somente em casos mais avançados. Ela pode ser necessária em estágios iniciais, dependendo basicamente do tamanho, tipo histológico e características do tumor.

 

2) Quais as cirurgias plásticas que podem ser realizadas?

H.M. – Existem diversos procedimentos. Nas cirurgias locais, que nós chamamos de “oncoplásticas”, nós usamos técnicas de mamoplastia para reconstruir as mamas que são submetidas a resseções parciais ou quadrantectomias.

Em pacientes cujas mamas tiveram que ser retiradas por completo, podemos utilizar:

  • Próteses mamárias direto na reconstrução;
  • Expansores, ou seja, próteses provisórias que são utilizadas para aumentar o espaço para depois trocar pelo implante;
  • Cobertura de pele, em que são utilizados outros tecidos da paciente para poder proporcionar uma cobertura associada ou não ao implante.

3) Quando os procedimentos devem ser realizados?

H.M. – O ideal é que a reconstrução das mamas seja realizada no mesmo momento da sua retirada, salvo algumas exceções. Com isso, evita-se que a paciente passe pelo trauma emocional e psicológico da ausência da mama, contribuindo diretamente no seu tratamento.

 

4) Quais os cuidados que devem ser tomados antes e após o procedimento de reconstrução das mamas e os riscos?

H.M. – Os cuidados que devem ser tomados antes são realizar os exames pré-operatório, ir em mais de uma consulta ao cirurgião plástico e esclarecer todas as suas dúvidas. Além disso, é importante deixar claro que o processo de reconstrução das mamas pode ocorrer em mais de um estágio, ou seja, necessitar de outros procedimentos.

Já as orientações após a cirurgia costumam ser o de utilizar o sutiã modelador e ficar atenta a algumas limitações nos movimentos do braço. Isso não significa que a paciente ficará impossibilitada de realizar suas atividades do dia a dia.

Com relação aos riscos do procedimento, eles são os mesmos da mastectomia, ou seja, dependem muito da condição clínica da paciente. Além disso, é importante deixar claro que a reconstrução de mama não é um aumento mamário simples. A mama pode ter alterações, pode haver a perda do implante e ou mesmo uma área de necrose de pele. Por isso a necessidade de um especialista para saber tratar dessa paciente da melhor forma possível.

Para finalizar a entrevista, o cirurgião busca tranquilizar as pacientes.“É muito importante saber que na maioria das vezes a reconstrução de mama não se liquida numa cirurgia única, ela vem às vezes por uma segunda ou terceira cirurgia, com o objetivo de refinar o melhor resultado”, pontua.

 

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Conteúdo revisado por:
Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674

Formado em medicina pela UFSC e mestre em Cirurgia Plástica pela USP, o Dr. Evandro Parente é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e presidente da SBCP-SC

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