Cirurgia plástica para câncer de pele

Cirurgia plástica para câncer de pele

Por: - Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674
Publicado em 16/03/2017 - Atualizado 09/02/2019

O câncer de pele não melanoma corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). É o tipo de câncer mais incidente no país atualmente, mas, entre os tumores de pele, é o de mais baixa mortalidade, pois apresenta altos percentuais de cura quando detectado precocemente.

O tratamento desse tipo de câncer pode requerer uma cirurgia de remoção do tumor e do máximo possível de células cancerígenas presentes nos tecidos ao redor. Essa remoção cirúrgica resulta em cicatrizes e pode causar até desfiguração se a lesão estiver em uma área delicada, como rosto e pescoço. Em situações como essa, indica-se a realização de uma cirurgia plástica para câncer de pele, através da qual é possível preservar, ao mesmo tempo, a saúde e a aparência dos(as) pacientes.

A especialidade habilitada para realizar reconstruções de pele é a cirurgia plástica, mas muitos profissionais da área acabam realizando todas as etapas de remoção e reconstrução da região afetada pelo câncer, tratando a doença com cuidado para não alterar significativamente a aparência do(a) paciente.

Como é feita a cirurgia plástica para câncer de pele

Dependendo do tipo, do tamanho e da localização do tumor, a cirurgia plástica para câncer de pele é feita utilizando uma das diferentes técnicas de remoção cirúrgica disponíveis.

Uma lesão pequena pode ser removida com excisão, um procedimento cirúrgico simples. No entanto, o câncer de pele pode ser como um iceberg – o que está visível na superfície é apenas uma pequena parte do tumor; por baixo da pele, as células cancerígenas cobrem uma região maior e sem fronteiras definidas. Nesse caso, utiliza-se uma técnica chamada cirurgia de Mohs (especialmente em casos de lesão no rosto) no tratamento do câncer.

O cirurgião precisa se certificar de que todas as células cancerígenas foram retiradas antes de reconstruir a região. A única forma de obter essa certeza é realizando uma análise patológica da pele retirada antes de fechar a ferida e passar para a próxima etapa. O objetivo é encontrar margens claras (áreas onde o câncer não tenha chegado). Somente quando essas margens forem localizadas, a incisão é fechada e a ferida é reconstruída. Caso contrário, o cirurgião plástico continua removendo finas camadas de pele, evitando cicatrizes muito profundas, até não restar nenhuma célula cancerígena.

Confirmado o fim das lesões, parte-se para a reconstrução, que pode ser feita utilizando retalho ou enxerto de pele. A técnica de retalho local reposiciona o tecido saudável adjacente sobre a ferida. Já para fazer um enxerto, o cirurgião tem de retirar pele saudável de outra região do corpo.

Em qualquer caso, o(a) paciente pode retomar atividades leves no mesmo dia da cirurgia. Pode haver dor, vermelhidão e acúmulo de líquido. A cicatrização continua por várias semanas ou meses e o resultado final da cicatriz só será visível depois de um ano. Dependendo do caso, podem ser necessários mais de um procedimento cirúrgico para obter melhores resultados.

Preserve sua saúde

A cirurgia plástica para câncer de pele busca proporcionar uma aparência mais natural, mas nenhuma reconstrução imita o estado anterior da pele de forma perfeita. As cicatrizes permanecerão e podem ocorrer alterações visíveis de cor, textura e outras diferenças na pele da(s) área(s) reconstruída(s). Ainda assim, mesmo que a aparência anterior não possa ser totalmente restaurada, o mais importante é que o câncer de pele seja efetivamente curado.

Algumas formas da doença podem requerer tratamento adicional, como radio e quimioterapia. Além disso, o câncer de pele também pode reaparecer. Mesmo curadas, pessoas que já foram diagnosticadas com a doença apresentam maior risco de desenvolver novamente o câncer do que o resto da população.

Por isso, é importante estar atento aos sinais da doença, realizar, regularmente, o autoexame corporal e agendar um exame anual de rastreamento de câncer. Proteger-se adequadamente do sol durante toda a vida e deixar de fumar para garantir a cicatrização contínua são hábitos que devem ser incorporados à rotina.

Conteúdo revisado por:
Cirurgião Plástico e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - CRM/SC 8130 RQE 2674

Formado em medicina pela UFSC e mestre em Cirurgia Plástica pela USP, o Dr. Evandro Parente é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e presidente da SBCP-SC

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