Médico esteticista não é cirurgião plástico

Médico esteticista não é cirurgião plástico

01/09/2016

Mesmo que o Conselho Federal de Medicina (CFM) permita a qualquer médico, após formado, fazer todos os atos médicos, inclusive cirurgias plásticas, o ideal é o profissional ter o título de especialista em cirurgia plástica. Por quê? Porque médicos cirurgiões plásticos dedicam 11 anos da sua vida ao estudo da especialidade. Além dos seis anos da faculdade de medicina, permanecem mais dois especializando-se em cirurgia geral e outros três em cirurgia plástica. E só obtém o título de especialista após comprovarem possuir o conhecimento e a habilidade necessária, ao conseguirem aprovação no rigoroso exame realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Associação Médica Brasileira (AMB). A certificação é uma segurança a mais para o paciente.

Além disso, a Resolução do CFM Nº 2.116/2015 não reconhece a medicina estética como uma especialidade. Assim, médicos não podem se apresentar como especialista em Medicina Estética, sob pena de infringir o Código de Ética Médica que proíbe os médicos de “anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina”. Já a cirurgia plástica consta na relação das especialidades reconhecidas pela Resolução.

Porque o médico esteticista opera mesmo não sendo cirurgião plástico?

Então, por qual razão o CFM permite aos médicos operar sem que sejam especialistas? Para garantir à população o acesso à assistência médica sem distinção, pois há cidades pequenas no Brasil com poucos médicos especialistas e em muitas eles atendem as mais diversas necessidades dos pacientes. Mas essa possibilidade deve ser o último recurso. Quando há meios de ser assistido por um cirurgião plástico de fato, esta é sempre a melhor opção e a mais segura.

Existe um motivo para isso. O médico esteticista não só não é cirurgião plástico como detém pouco conhecimento ou capacitação na área. O domínio e conhecimento das técnicas de cirurgia plástica que possuem é inferior ao de um cirurgião da área que somente após dois anos de residência médica obtém o título de especialista. O CFM, a AMB e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), que integram a  Comissão Mista de Especialidades (CME), não reconhecem especialidades médicas com tempo de formação menor a dois anos.

A qualificação do médico, de qualquer área, porém, especialmente dos cirurgiões plásticos, é muito importante e nunca deve ser desconsiderada no momento de cuidar com a própria saúde.